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O CÉU NO INVERNO DE 2010

Um eclipse na base da cadeia alimentar

Fernando Fernandes

O eclipse solar de 11 de julho de 2010, visível no Pacífico Sul, dinamizou a quadratura T formada por Júpiter, Urano, Saturno e Plutão para formar uma configuração que pode ser muito perigosa para o plâncton, base da cadeia alimentar, e para alguns países especialmente belicosos, como Irã e Estados Unidos.

Sopa Plástica

Oceano Pacífico entre a costa da Califórnia e o Havaí: o lixo carregado pelas correntes oceânicas formou uma superfície compacta, que hoje cobre uma área maior que a dos Estados Unidos. É a sopa plástica, ameaça à cadeia alimentar oceânica potencializada pelo eclipse de 11 de julho.

Eclipses sempre despertaram a atenção dos astrólogos e podem ser interpretados de mais de uma maneira. Por um lado, são uma conjunção de um tipo muito especial, pois reúnem os dois luminares em absoluta superposição, definindo um foco, uma injeção de energia e uma possibilidade de recomeço no ponto da carta em que se manifestam.

Outra interpretação possível é aquela que vê o eclipse como um fator de desconexão, em analogia com o processo de ocultamento que sempre ocorre. No caso do eclipse do Sol, este ocultamento é ainda mais grave, pois suprime o contato da Terra com a estrela em torno da qual gira e de cuja luz e energia depende.

Eclipse de 11 de julho 2010

Eclipse de 11 de julho de 2010: Sol e Lua em sextil com o guerreiro Marte mas em quadratura com Éris, o novo planeta descoberto em 2006: dificuldade para lidar com desafios que exigem um esforço de cooperação mundial.

Na carta astrológica o Sol é o princípio significador da consciência, da lucidez e da vontade. Assim, a ausência temporária do Sol funciona como um momento de ruptura, onde a vida se desorganiza e abre brechas para o irracional ou o indesejável. Mais ou menos como uma sala de aula de onde a professora precisa se ausentar por alguns minutos: livre do olhar atento da mestra, a meninada aproveita para dar vazão a tudo que estava reprimido pela disciplina escolar. É o momento em que Pedrinho dá um cascudo em Joãozinho, em que Rodriguinho bota uma tachinha na cadeira de Marcelo e em que Larissa rouba os biscoitos de chocolate do lanche de Mariana. Qualquer professora de pré-escola sabe que bastam dois minutos para que se instale o caos. Com o eclipse, não é diferente. Daí temos mais um significado na interpretação: o eclipse é sempre um fator de aceleração de processos, para o bem ou para o mal, podendo estar associado a inversões ou reviravoltas bruscas.

Contudo, os acontecimentos relacionados ao eclipse não se manifestam todos de uma só vez: distribuem-se ao longo de meses, chegando a estender-se por um semestre inteiro, até a ocorrência de outro eclipse da mesma natureza (solar ou lunar). Às vezes, o alcance é ainda maior. Assim que ocorreu o atentado às torres gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001, não houve astrólogo que não lembrasse que o cone de sombra do eclipse de dois anos antes, a 11 de agosto de 1999, surgira exatamente na costa do Atlântico, em frente a Nova York, cortara toda a Europa, avançara pelo Oriente Médio e findara nas montanhas do Afeganistão, refúgio dos talibãs e do grupo terrorista Al-Kaeda.

Eclipses acontecem aos pares, um de natureza lunar e outro solar, em eixos próximos e separados por pequeno espaço de tempo. Assim, tivemos um eclipse lunar em 26 de junho de 2010, em Capricórnio, antecedendo o eclipse solar 11 de julho, em Câncer. Os dois signos – Câncer e Capricórnio – são opostos, configurando um eixo com múltiplos significados na vida cotidiana. Para início de conversa, Câncer e Capricórnio falam de segurança e estruturação. Simbolizam os pais e a relação com os mais velhos, assim como as estruturas de proteção tanto no nível biológico (ossos e pele, por exemplo) quanto social (a família e a administração pública).

Não seria descabido afirmar, portanto, que os eclipses de junho e julho colocam um foco definido em questões relacionadas com estruturas de proteção. Resta saber em que nível e com que alcance geográfico.

Eclipses do Sol não são visíveis de toda a Terra, mas apenas de uma faixa bastante definida, onde podemos percebê-lo de forma total (a chamada faixa de totalidade, em torno da linha central do eclipse) ou parcial (área de penumbra). O eclipse solar de 11 de julho – que coincide com a fase mais aguda da tensa quadratura T entre Urano, Saturno, Júpiter e Plutão – apresenta uma característica bem marcante: sua linha central corta quase exclusivamente as vastidões oceânicas do Pacífico Sul, desde a região a leste da Nova Zelândia até o extremo sul do Chile. Trata-se de uma área de população muito escassa (pouco mais de três milhões de seres humanos espalhados por centenas de ilhas) mas, por outro lado, aquela com maiores reservas de plâncton do planeta.

Plâncton, o personagem principal do eclipse

Plâncton é o nome genérico aplicado a uma série de organismos marinhos que têm em comum o fato de apresentarem baixa capacidade de locomoção, deixando-se conduzir livremente em função do próprio movimento das águas. Frequentemente é arrastado por correntes oceânicas, em especial as mais frias. O termo planktos, em grego, significa exatamente errante.

Plâncton

Plâncton. Foto: Wikipedia.

Do ponto de vista biológico, subdivide-se em duas grandes classificações: ozooplâncton, que é constituído por uma grande variedade de animais de pequeno porte que vivem ao sabor das águas; e o fitoplâncton, formado principalmente por algas microscópicas.

O fitoplâncton é especialmente importante para a vida na Terra em função de sua capacidade de fazer a fotossíntese, processo em que a energia luminosa é transformada em energia química mediante o aproveitamento de água, gás carbônico e alguns minerais. O resultado é a produção de compostos orgânicos e a liberação de oxigênio para a atmosfera.

Toda a vida na Terra depende direta ou indiretamente do Sol. Contudo, só os organismos capazes de fotossíntese podem aproveitar a luz solar e, a partir dela, gerar nutrientes. É por esta razão que o plâncton está na base da cadeia alimentar de todas as comunidades oceânicas. Sem ele, a vida marinha simplesmente desapareceria.

Ainda mais: ao contrário do que pensa o senso comum, a maior parte do oxigênio da atmosfera não é produzida pelas florestas, mas sim pelo plâncton, responsável por nada menos que 98% do oxigênio disponível em estado gasoso. A importância das florestas está relacionada a outra função não menos essencial, que é o de regulação climática.

Plâncton e desequilíbrio

Em situações normais, o plâncton ocorre desde a superfície até a chamadacamada de compensação, ou seja, a faixa de profundidade da água do mar a partir da qual a luz não mais penetra em quantidade suficiente para permitir a fotossíntese. Em regiões de águas límpidas e boa luminosidade, a camada de compensação pode estar a até 80 metros abaixo da superfície, permitindo o crescimento de uma grande comunidade de plâncton. Contudo, a poluição das águas oceânicas e alterações climáticas podem levar a uma drástica redução da população, gerando crise na cadeia alimentar.

Tão perigoso quanto a súbita redução é também o aumento excessivo: quando isso ocorre, há um rápido esgotamento dos nutrientes, o que gera, no momento seguinte, a morte em massa do plâncton, cujo processo de decomposição provoca reações químicas que levam ao rápido esgotamento do oxigênio do oceano. Na sequência, o mecanismo se reflete em todo o restante da cadeia alimentar, com a morte em massa de peixes e outros animais marinhos.

Regência dos plânctons

Estabelecer a regência astrológica do plâncton é, portanto, essencial para qualquer prognóstico referente aos riscos que envolvem a cadeia alimentar. E não é difícil estabelecer analogias, bastando lembrar que o plâncton:

  • É um ser vivo simples e primitivo.
  • É a base da cadeia alimentar.
  • Vive nas águas (especialmente as frias).
  • Desloca-se com as massas oceânicas.
  • Faz a intermediação entre o Sol e os demais seres vivos.

Tudo isso destaca uma dominante Lua/Câncer, sendo a Lua uma significadora da vida biológica instintiva, das células e do meio líquido em geral. A função básica da Lua – assim como de Câncer, signo em que tem domicílio – é nutrir.
O fato mais notável envolvendo o eclipse de 11 de julho é a superposição entre sua área de sombra e o trajeto da corrente de Humboldt, que, junto com a corrente Circumpolar, constitui um circuito de resfriamento das águas do Pacífico Sul. Devem-se às águas frias da corrente de Humboldt os desertos que se estendem pelo litoral do Chile e do Peru. Por outro lado, esta mesma corrente transforma a região num dos maiores reservatórios de vida do planeta, com enormes quantidades de plâncton e abundante vida marinha. Por isso, Peru e Chile dependem da pesca em larga escala.

Eclipse sobre a corrente de Humboldt

A linha central do eclipse (em vermelho) avança do leste da Nova Zelândia para a Patagônia. Os limites da área de penumbra atingem a zona da "sopa plástica", no Pacífico Norte.

O que um eclipse sobre as águas mais ricas do planeta pode sinalizar? Trata-se, como já vimos, de um eclipse em Câncer sobre uma área cuja variedade biológica tem também uma conotação canceriana. Câncer é também a “ponta vazia” da pesada quadratura T formada por Urano, Júpiter, Plutão e Saturno. A configuração aponta para o risco de escassez alimentar, sendo que uma das possibilidades é exatamente a ruptura (sentido do eclipse) do ciclo vital do plâncton (Câncer).

Astrologia Mundial não é como uma equação matemática, onde os mesmos fatores produzirão sempre o mesmo resultado. Identificado o quadro geral, há mil possibilidades de concretização. Cabe então ficar de olho no noticiário sobre o Pacífico Sul ao longo do segundo semestre de 2010. Qualquer pequena notícia pode ser relevante, seja sobre o plâncton, seja sobre mudanças climáticas, alterações na temperatura da água ou nas condições das correntes oceânicas.

Eclipse sobre corrente de Humboldt

Superposição entre as linhas do eclipse de 11 de julho e o trajeto da corrente de Humboldt, uma corrente fria, rica em plâncton e responsável pela riqueza pesqueira de Chile e Peru.

Ainda mais: o eclipse se manifesta sobre região com forte instabilidade geológica, onde aconteceram alguns dos piores terremotos já registrados (inclusive o que atingiuConcepción, no Chile, em fevereiro de 2010). Além disso o Pacífico Sul começa a ser afetado por um problema ambiental grave, cada vez mais difícil de controlar, e que já tomou conta do Pacífico Norte entre a Califórnia e o Havaí: o crescimento da “sopa plástica” formada por toneladas e toneladas de sujeira produzidas pelo homem, arrastadas pelas correntes oceânicas, e que representam hoje uma ameaça real para a vida marinha. Como os peixes não sabem distinguir entre o plâncton e fragmentos de lixo tóxico, a sopa plástica representa um perigo inédito, que é o da inserção de elementos artificiais e perigosos na cadeia alimentar.

Em resumo, durante o período de vigência do eclipse de 11 de julho não se pode perder de vista o oceano que um dia já foi Pacífico.

Outras áreas sensíveis

Além do Pacífico Sul, é preciso prestar atenção em outras regiões geográficas que foram sensibilizadas pela presença de planetas da tensa quadratura T no eixo do horizonte ou do Meio do Céu local no momento d o eclipse. Estão neste caso especialmente três áreas:

  • toda a costa oeste da América do Norte;
  • Irã, Golfo Pérsico, Cáspio e Indonésia;
  • Brasil e Argentina.

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